Contribuição Técnico-científica Sobre Edulcorantes

Adoçantes são substâncias responsáveis por conferir sabor doce aos alimentos. Já os edulcorantes, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA)¹, são as matérias-primas utilizadas na fabricação desses adoçantes.

Os edulcorantes podem ser classificados tanto por sua origem (natural ou artificial/sintética) quanto por seu valor calórico (calóricos ou não calóricos). Os naturais são extraídos de plantas ou alimentos de origem animal, enquanto os artificiais ou sintéticos são obtidos por meio de reações químicas, ainda que possam ter origem em produtos naturais. Atualmente, os edulcorantes naturais aprovados para consumo incluem a estévia e os polióis, como sorbitol, manitol, isomaltitol, maltitol, xilitol, eritritol e lactitol² ³ ⁴.

Diante das incertezas levantadas por alguns estudos sobre a segurança do consumo de adoçantes, a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou uma diretriz com uma recomendação condicional: “adoçantes não calóricos não devem ser utilizados com o objetivo de controlar o peso corporal ou reduzir o risco de doenças crônicas não transmissíveis”. Essa recomendação foi baseada em metanálises, mas a própria OMS ressalta que os estudos analisados não incluíram gestantes, pessoas com pré-diabetes ou diabetes, tampouco investigações específicas sobre os polióis⁵.

A recomendação condicional, segundo a OMS, reflete um nível menor de certeza por parte dos especialistas, ou situações em que os potenciais benefícios são pequenos. Assim, a orientação principal é reduzir tanto o consumo de açúcares adicionados quanto de adoçantes não calóricos, incentivando a ingestão de alimentos in natura e minimamente processados. O documento, no entanto, reconhece que os adoçantes podem ser benéficos no controle glicêmico pós-prandial, ao contrário do açúcar comum (sacarose).

É fundamental destacar que os resultados dos estudos não devem ser generalizados de forma indiscriminada. A interpretação adequada depende do tipo de pesquisa envolvida — como estudos randomizados, duplo-cegos, cruzados, paralelos ou observacionais. Ensaios clínicos randomizados e estudos de coorte ainda são considerados os que oferecem maior nível de evidência. Além disso, é preciso avaliar a forma como os edulcorantes foram administrados nos estudos (em cápsulas ou soluções, por exemplo), pois isso pode não refletir o consumo real no dia a dia. Outro ponto crítico é a ausência de grupos controle bem definidos: voluntários que se declaram não consumidores de adoçantes artificiais, por exemplo, podem ter sido expostos a essas substâncias inadvertidamente em produtos industrializados⁶.

No Brasil, a ANVISA determina que os edulcorantes comercializados devem atender aos seguintes critérios⁷:

● Comprovação de segurança pela agência brasileira, a ANVISA.

● Poder adoçante igual ou superior ao da sacarose.

● Ausência de cor e de odor.

● Facilidade de diluição.

● Compatibilidade química com outros aditivos e demais componentes dos alimentos.

● Custo competitivo em relação a outros edulcorantes.

● Estabilidade química e térmica.

● Características sensoriais agradáveis.