Em uma cerimônia cheia de emoção durante o XXV Congresso da Sociedade Brasileira de Diabetes, 35 pessoas receberam medalha; para dona Carmen Wills, que descobriu ter diabetes há 75 anos, foi criado um troféu especial.
Um dos momentos mais emocionantes do XXV Congresso da Sociedade Brasileira de Diabetes deste ano foi a entrega das medalhas para as pessoas que usam insulina há pelo menos 50 anos. Este ano, foram 35 homenageados. Quem não pode comparecer ao evento, gravou vídeo, que foi exibido durante a premiação, que ocorreu durante Evento para Pessoas com Diabetes.
A cerimônia foi comandada pelas médicas Rosane Kupfer e Solange Travassos, da SBD. Em suas falas elas ressaltaram a importância do autocuidado e do conhecimento sobre o diabetes. Elas lembraram que os pacientes usavam seringas de vidro para aplicação de insulina, que eram fervidas e reutilizadas. Só mais recentemente a tecnologia passou a ser grande aliada das pessoas com diabetes, com a chegada das seringas descartáveis, canetas de insulina, sensores, bombas e novos medicamentos. “Todas essas novas tecnologias facilitaram a vida dos pacientes e aumentaram a expectativa de vida”, lembrou Dra. Rosane. Dra. Solange afirmou que é necessário lutar pela equidade, para que todos possam ter acesso a essas novas tecnologias, discurso que foi lembrado pela maioria dos homenageados. Segundo eles, apenas o acesso a todos esses recursos fará com que todos os pacientes consigam chegar a 50 anos de tratamento sem sequelas, como eles.
O presidente da IDF – Federação Internacional de Diabetes, dr. Peter Schwarz, que prestigiou a premiação, afirmou que “essas pessoas nos mostram que é possível conviver com o diabetes”. E pediu: “Usem as suas experiências para diminuir o estigma, principalmente no trabalho”. Este ano, o tema do Dia Mundial do Diabetes, que é celebrado em 14 de novembro, é “Diabetes e bem-estar no trabalho”.
Entre os homenageados estavam duas médicas da SBD: Dra. Karla Melo, coordenadora do Departamento de Saúde Pública, e Dra. Luciana Schreiner, do Departamento de Diabetes Tipo 2 e Pré-diabetes. Muito emocionada, Dra. Karla disse que o importante é a vida e defendeu a equidade no tratamento do diabetes.
A última homenageada foi dona Carmen Wills, a pessoa que toma insulina há mais tempo no Brasil. Aos 94 anos, ela usa insulina há 75 anos. “Tinha 19 anos quando descobri que tinha diabetes”, lembrou. “Era uma época difícil, tinha de fazer exame de sangue em laboratório.” Dona Carmen contou que a vida melhorou com as inovações, como glicosímetro, sensores, canetas e bomba de insulina. “Hoje o autocuidado é mais fácil e muitos de vocês vão passar de 75 anos usando insulina, a vida será mais longa”, disse. Ela fez questão de agradecer os médicos que cuidaram dela ao longo da vida, aos pais, que a ajudaram muito no momento da descoberta do diabetes e à sua família – filhas e netos. “Eu tive a sorte de ter uma família pâncreas.”
Como dona Carmen já tem a medalha dos 50 anos, a SBD criou, especialmente para ela, um troféu de 75 anos de diabetes.




